Talvez os miúdos até aos seis anos tenham a sensibilidade para brincarem (acho que às vezes esquecemos que o LEGO é um brinquedo) com quintas e os miúdos com mais de seis já queiram algo com mais acção!
E
as miúdas?
Não estou a defender a diferenciação
bonecas vs. carrinhos nem variantes, apenas a tentar explorar essa constatação. Se é verdade, para o bem e para o mal, que meninas e meninos são incentivados a brincar com objectos diferentes, porque não ter ao menos um suporte comum (peças LEGO) que possa tornar esses objectos menos limitados?
Sempre achei que a LEGO fez um erro colossal com Paradisa, porque as meninas não procuram (quanto a mim) uma abundância de cores pastel em LEGO, antes
objectos reconhecíveis.
Não sou psicólogo, e a minha opinião vale o que vale, mas acho que a grande diferença nas brincadeiras de rapazes e raparigas reside naquilo que tomam como base para a fantasia: os rapazes apostam mais na "nave fantástica XPTO" para fazer uma
tarefa simples (conquistar o planeta, etc.), e as raparigas apostam mais em
objectos simples como suporte para
enredos, esses sim, bem mais complexos (há algum tempo uma garota esteve a contar-me a vida das suas bonecas, e aquilo era uma trama mais complicada que uma telenovela mexicana).
Não achando eu que a Quinta é uma coisa "para meninas", acho que é uma coisa
neutra - apela a todos por igual, e pode capitalizar na metade da população que neste moento não é assim tão acarinhada pela LEGO. Se os pais puderem comprar um brinquedo cujas peças possam ser usadas por filhos de um e outro sexo (friso que a compatibilidade Belville/System é um tanto incipiente), talvez a perspectiva lhes agrade bastante.
Ou seja: que os rapazes de seis anos passem para os tinonis, não me espanta; que as meninas dessa idade peguem na quinta do mano, também não. E que ambos arranjem maneira de fazer a festa em conjunto, parece-me o resultado evidente: "eu apago o fogo no celeiro, tu dás de comer ao meu batalhão de polícias". Simples.
Até hoje, ainda não consegui compreender como é que a LEGO insiste nos meninos, que claramente vão dando a preferência a brincadeiras "virtuais", como videojogos, e não se vira para as meninas, cuja "aversão" inexplicável a jogos em geral não é explorada por um fabricante de brinquedos clássico. Mas divago...
Pedro